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9.2.04

Novas Mitologias do Mundo
MYSTIC RIVER
Antes que o perdesse de vez fui a correr vê-lo. O que me espanta é a capacidade de emoções que Clint Eastwood, o actor-cowboy-polícia-durão consegue transmitir nos seus filmes - Tal como em "Um mundo perfeito", este é um exemplo máximo. Como se ele, um pouco canastrão e inexpressivo, não fosse capaz de o fazer! Mas é.
Gostei muito do filme - embora por defeito de profissão, não concorde com o final: deveria ter acabado na rua onde começou e não haver desfile nenhum, absolutamente desnecessário!- e a estrutura narrativa é alucinante. Mas é do ponto de vista da realização que Eastwood consegue abalar as hostes e mostrar-nos a crueldade e a atrocidade humana, assim como os meandros intricados da amizade, dos caminhos díspares que os amigos percorrem até se encontrarem outra vez, e do amor conjugal, três situações que dão pano para mangas e dariam outro filme.
E sem dúvida, o retrato de um ser abusado sexualmente na infância, e o tormento da sua vida que finalmente acaba com a aceitação da morte.
Que dirão os pedófilos ao verem este filme? Não reconhecem o seu crime atroz? Não param para pensar um pouco?
Gostaria muito que sim. Oxalá que sim.
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Novas Mitologias do Mundo
A minha casa
É mesmo como eu gosto: nem demasiado arrumada, nem demasiado certinha, a faltar sempre algum móvel, alguma mudança. Com muitos espaços de convívio, cozinha perto da sala de jantar, onde se está também, numa mesa grande. Sempre gostei de cozinhas, onde se conversa muito. Aparelhagens espalhadas estrategicamente, televisões, vídeos, consolas, computadopres; luzes para cada serviço, sofás nos quartos para descansar e não apenas camas, escadas que levam a síitos ainda com mais luz, espelhos, terraços e janelas onde Lisboa se deita e levanta de um lado até à serra de Sintra, do outro atravessando o rio. Em noite límpidas e suaves pode ver-se, em sentidos opostos, o castelo de Palmela e o Palácio de Sintra. Estou, portanto, rodeada pela magia dos contos de fadas e das vitórias e batalhas de outrora.
Adoro a minha casa.
Existe ainda um pormenor que é a maior benção : está sempre cheia de vida.
Vida humana, energias saudáveis, conversas, risos, alguns gritos e muita confusão.
Para alguns isto deverá ser um senão. Às vezes também o seria para mim, mas fecho a porta do escritório e os risos assim como os gritos ficam lá fora e custam a passar a madeira maciça. E ninguém entra sem bater à porta.
Além da confusão e profusão de almas e corpos há sempre respeito por portas fechadas. Que só se fecham quando queremos estar connosco próprios.
Adoro a minha casa. A família e a casa e os livros, o computador, as minhas coisas que são só minhas e restam inalteráveis tais como acontece com as coisas dos outros.
Além de tudo é o meu lar. Onde me aninho, onde sabe bem chegar sempre. O meu canto do mundo preferido.
Mitos Online:

8.2.04

Novas Mitologias do Mundo
O dinheiro
Não lhe consigo identificar as imagens, - nem mesmo quando era o escudo - apenas as cores. As moedas, no entanto, sempre me fascinaram. Não pelo valor mas sim pelo encanto que representam - quando as vejo saírem de um mealheiro ou em cima de balcão de um banco, douradas e brilhantes, sempre penso que um baú seria o melhor sítio para as guardar.
Não posso dizer - seria pretensiosismo - que não me faz falta, que não preciso dele. Mas se ainda usássemos o antigo método da troca de produto, para viver, seria muito melhor. E menos impessoal. Julgo que pensaríamos sempre duas vezes antes de trocar alguma coisa. Se realmente precisávamos de um saco de batatas quando teríamos de dar um champô, um livro por uma dúzia de ovos, um casaco por uma galinha.
Mas nada disso acontece assim. E ainda há quem pense que dinheiro é poder, dá estatuto social e faz-nos mais felizes.
Não é verdade. Quando não temos dinheiro somos acima de tudo mais criativos. Temos que considerar todas as hipótese, contornar os obstáculos e fazer dos problemas oportunidades. E conseguimos surpreender-nos até a nós próprios.
Vão dizer que é conversa de pobre, blá, blá, blá, e estão muito enganados.
Sou muito rica. Tenho tudo o que o dinheiro não pode comprar: uma família grande que se apoia mutuamente e gosta muito de estar junta; alguns amigos que são para todas as ocasiões; a profissão que sempre quis; esperança no futuro e aproveitamento total de todos os momentos do presente. Falta alguma coisa? Às vezes falta. O tal dinheiro!
Mas quando falta penso no tal futuro, torno-me mais criativa, visito mais a família, dou mais valor a cada momento do presente e tenho ainda os meus amigos por perto. E consigo ser feliz. Creio mesmo ( tenho a certeza) que os momentos mais felizes da minha vida aconteceram quando não tinha dinheiro. Também não havia dinheiro que os pudesse pagar. Por isso por que me lembrei de falar dele, do tal maldito dinheiro? Talvez precise de me convencer totalmente de que ele não tem mesmo nenhuma importância!
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6.2.04

Novas Mitologias do Mundo
A primeira desilusão
Aceitar as nossas fraquezas revela uma grande força. É uma máxima que ela agora tenta compreender sem que sempre o entenda.
Um dia, ainda ela acreditava que o mundo era dos justos, dos bons e dos que sorriam, levou o maior abanão da sua vida. E na sua cabeça apenas latejava o sentimento de não ser possível aceitar essa verdade, esse facto, já que um facto não tem que ser uma verdade, já que uma verdade não é uma verdade universal. Cada um terá a sua, mas um facto, apesar dos pontos de vistas em que é feita a sua análise não deixa de ser um facto.
Lágrimas, desespero, revolta, desilusão e acima de tudo incredulidade.
Mas nada resultou. O sentimento ainda a persegue e ela continua a ensaiar jogos de auto-defesa que lhe protejam a auto-estima.
A pouco e pouco vai conseguindo. E sente-se melhor consigo e com o mundo. Esse que não muda e terá que aceitar a sua mudança.
A sua vitória. A sua ilusão de um mundo melhor.
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4.2.04

Novas Mitologias do Mundo
Depois dos cinco vêm os seis e passa-se para a outra mão. Já custa mais a contar. Eu continuo a pôr-lhe o creme hidratante que usava quando bebé. Conservo assim a pureza e o cheiro desses tempos que revivo longamente com a ajuda de fotografias. O meu bebé! E ele não se importa. Todos eles sabem que o serão sempre. Alguns não gostam que o diga muitas vezes. Ser mãe é-se para sempre. Mas os bebés dão saudades porque se aninham melhor no colo. E podemos indiscretamente olhar para eles durante o tempo que quisermos. Vão crescendo e ficamos muito felizes. Depois de crescidos orgulhamo-nos deles mas lamentamos não poder aconchegá-los no todo com os nossos braços. Apenas sabemos que os guardaremos sempre no coração. Mas isso nunca basta a uma mãe. Por isso tenho sempre o mesmo creme hidratante à mão. Para que possa guardar o aroma deles no coração e no peito. Para sempre. Os meus bebés.
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