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31.10.03

Novas Mitologias do Mundo
O prazer de almoçar com um/a amigo/a que não vemos há muito começa por ser, desde logo, pouco relevante o que vamos almoçar, e até mesmo onde. Portanto, o prazer do almoço em si está mesmo no prazer do reencontro. E da conversa. Das palavras e do afecto recíproco.
Há almoços assim! Em que alimentamos só a alma!
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Novas Mitologias do Mundo
Já tenho o blogue com cara de gente e quero agradecer muito ao meu querido amigo que com toda a generosidade se disponibilizou a ter esse trabalho e me proporcionou respirar o mesmo e outros ares! Vou usar e abusar do blogue! Obrigada.
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30.10.03

Novas Mitologias do Mundo
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Novas Mitologias do Mundo

AO TELEFONE

- Vou para a Madeira trabalhar na metalurgica!
- O que é isso? Tu não percebes nada disso?!!!
- Eles querem pessoal que não perceba nada disso. Tenho uma semana de formação. Viagens pagas, tudo pago e 300 contos por mês!
- Assim de repente?
- Assim.
- E queres ir?
- Claro!
- Para quê?
- Para trabalhar e ganhar dinheiro.
- Mas se tu nem sabes qual é o trabalho?....
- Depois eles dizem-me. Trabalho das 8 da manhã às 8 da noite. Mas não é na rua. É dentro de edifícios, armazens...
- E quando tens que dar a resposta?
- Agora. Amanhã assino o contrato e dão-me o bilhete de avião.
- Mas que tipo de trabalho é que é?
- Umas coisas novas! De uns suecos! Uns insufláveis, uma coisa do género! Amanhã passo por aí para ir buscar as coisas.
- Mas isso é assim? De uma hora para a outra? Sem explicações?
- É! Não estás mesmo dentro da realidade! Até amanhã!

A minha realidade é bem diferente da realidade dos outros. Só me assusta que o contrato esteja em sueco!....
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Novas Mitologias do Mundo
Hoje não era bem isto que queria postar. Mas nem sempre fazemos o que queremos. E a escrita é a vida que temos, também e sobretudo. Por isso...
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Novas Mitologias do Mundo
Só se sente a falta do que já não está ou não existe. Também das pessoas. Porque já estiveram. Já existiram. Para isso inventaram um termo que em português se chama saudade. No resto do mundo: vazio.
É da saudade e do vazio - que assim à  partida não parecem ter nada em comum - que se fazem as faltas que sentimos.
Com a agravante de nunca mais as mesmas serem recompensadas. Preenchidas, por muitos outros devaneios, sim. Mas quem recompensa a falta ela própria?

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25.10.03

Novas Mitologias do Mundo
Ainda falando de palavras...
Assisti na quarta-feira ao final( infelizmente) da entrevista de Judite de Sousa ao Mário Vargas Llosa e deliciei-me com as palavras que aquele homem domina. Isto de palavras, é claro, tem a ver com as ideias, e achei-o parco, conciso e muito inteligente a lidar com todas elas.
Muitas vezes acontece conhecer um autor e ficar desiludida com a sua posição face ao mundo e à vida, apesar de admirar a sua obra. Com o M.V.L. só me apeteceu ir a correr para a Fnac ( está bem! pode ser outra loja, mas gosto de comprar na Fnac!!!) buscar o seu último livro! Há pessoas que dá gosto ouvir! E ler!
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NO BAR
Conversas de chacha
Há uma irresistível mania, ou será apenas vício, ou presunção, ou estupidez, para algumas pessoas desenvolverem conversas que não interessam a ninguém, começando por elas próprias.
Com a agravante de ser sempre a mesma conversa. Aborrecida, onde nunca se chega a nenhuma conclusão - não confundir com objectivo, ou qualquer ponto demagógico, - e repetitiva até à exaustão.
Já ouvi muitas conversas dessas! Umas vezes entre interlocutores diferentes, outras entre os mesmos interlocutores.
E fico a pensar, calada no meu canto, para quê? Para quê insistir numa conversa em que se sabe todas as respostas às perguntas, em que nunca se ouve a contra-argumentação, ou mesmo que se oiça não interessa corroborar ou confrontar?
Cada um é livre de usar a sua expressão como quer, disso não há dúvida! Mas ser-se tão mesquinho ao ponto de se achar tão importante para nunca variar o discurso?
De repente, veio-me à ideia a classe política. Que também faz o mesmo! A mim sempre me disseram que o silêncio é de ouro e a palavra de prata!
E o bom senso deveria ser de platina!
Estou farta da mesma conversa! Se não conseguem ser inventivos e mudar um pouco, fiquem calados! A reflexão anda cada vez mais subvalorizada!
E isto vale para todos! Até para a classe política! Ah! Ah! Ah!!

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23.10.03

Novas Mitologias do Mundo
Presa no elevador ou o arroz a queimar
Já ficaram presos num elevador?
Fiquei ontem. Entre o 5º e o 3º andar - não há paragem nos números pares, são duplex!- a luz apagou-se, o elevador abanava e eu tenho claustrofobia.
Poderia ser uma aventura mas depois de fazer soar o alarme - que curiosamente se ouve muito melhor dentro daquela caixa de madeira do que no resto do prédio - vieram em socorro.
Os elevadores do meu prédio estão a precisar de reforma. Desde Maio que apenas um funciona por questões de segurança?? mas só haverá elevadores novos lá para Janeiro.
O caricato é que enquanto eu estava a tentar perceber como é que me iriam socorrer - nem o porteiro nem o elevador têm a minha confiança - a mulher do porteiro ria-se muito da situação e dizia que nada me iria acontecer porque o elevador não caía. Eu já tinha anteriormente constatado esta ideia idiota e ingénua que ela tem sobre os ditos, noutras ocasiões do género, apesar de saber que todas as semanas alguém da manutenção dos elevadores vai ver se este eventualmente já caiu.
A galhofa era grande - a senhora ria e troçava - tanta emoção num só dia! - os que passavam olhavam incrédulos e medrosos para a situação e eu tentava comunicar com o meu amigo do lado de fora - tivemos que usar telemóveis! - que a certa altura se lembrou que tinha deixado o arroz ao lume!
Obriguei-o a ir ver o arroz. Não conseguia imaginar duas desgraças eventuamente a acontecerem no mesmo dia!
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22.10.03

Novas Mitologias do Mundo

Lá fora, no mundo, não se passa nada?

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21.10.03

Novas Mitologias do Mundo
O caso de Ermesinde, em que a Catarina foi violada e espancada até à morte pelo próprio pai e a madrasta, não é único em Portugal.
Há por este país, tão abjecto que julgo não fazer falta nenhuma ao resto do mundo, muitas e muitas Catarinas( mesmo muitas) que andam de mão em mão, saltando das famílias de acolhimento para a família biológica, sob a observação impotente de Comissões organizadas de propósito para decidir o seu futuro. Enquanto a guarda destas crianças tiver como prioridade a família biológica, muitas Catarinas irão morrer. Os Serviços Sociais são constituídos por pessoas. Algumas competentes, outras renitentes, outras intolerantes, outras piedosas. Mas nenhuma com autoridade e força e coragem para desmantelar o sistema. O Sistema que parece um bicho-papão, sem rosto, sem responsabilidade. Não falo de cor. Falo com conhecimento de causa. E não pertenço a esse Sistema. Não consigo.
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Novas Mitologias do Mundo

Ser escritor é uma palavra pomposa! Mas é acima de tudo uma grande responsabilidade!
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Novas Mitologias do Mundo

O país em depressão. Mortes, corrupção, pedofilias e outras formas horríveis de expressão. Desemprego, miséria, intolerância, lobbies, pobreza, também de espírito, desencanto, desilusão, desinteresse, desumanidade, arrogância. Lembra-me uma frase de Grace em Dogville, "este é um dos sítios que não faz falta nenhuma ao mundo." Ou qualquer coisa assim parecida que também serve!
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13.10.03

Novas Mitologias do Mundo
Há seis meses que ela não iluminava o santuário que a envolvia nos momentos de reflexão, de exaltação, de catarse, de desânimo, momentos que às vezes a dominavam por completo, outros que a aborreciam de morte, outros ainda onde era feliz. Mas esses momentos eram a sua vida, a seiva da manhã, que a alimentava durante o dia, e que à noite lhe roubava o sono, mas que depois o aconchegava, entre os lençóis de linho e madressilvas. Há seis meses que o santuário não o era. Que assim ela o quis. Não lhe render preces nem orações, ignorá-lo para a si se magoar, brutalmente, sem dó, nem penas, nem gotas em forma de letras, nem frases a desfiar em terço.
Hoje ela acendeu uma vela.
Depois outra e outra... e continuou a tentar. E é isso que vai fazer: tentar, um dia após o outro, devagarinho, nesta recuperação dolente e dolorosa, com frémitos que parecem passos mas não são mais do que uma aprendizagem vagarosa e triste, com alguns momentos coloridos e sonhadores.
Só depois se lembrou que é 13 de Outubro. E pensou que não tinha nada a ver, que é isto de enfabulações, de superstições, números mágicos, datas?? E então? Não dizem que não há coincidências?
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Novas Mitologias do Mundo
Já encontrei outro método - todos os dias à volta do blog e os mitos todos em profusão contínua, sem se alinharem, ordenarem e terem um rumo definido - para escrever aqui. Primeiro escrevo no word e depois - se achar por bem - faço copy paste.
Mas ainda não é o definitivo. Nem por sombras!
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Novas Mitologias do Mundo
Tortura

Cedo ou tarde ele viria. Disso ela não tinha dúvidas. Era apenas uma questão de horas, mesmo minutos.
Uma questão de tempo, afinal. Não adiantava o olhar angustiado a devorar o relógio porque a questão de tempo não se contava através dos ponteiros, manhosos, monótonos que teimavam sempre em rodar.
Ela tapou todos os relógios. Com uma manta de quadrados de lã com a qual se ia agasalhando dos arrepios infindáveis que estremeciam o seu corpo.
Ele viria. Não saber quando, fazia parte do jogo desigual que jogava desde... desde quando?
Ela já não sabia. O tempo tinha esquecido o signo do tempo nessa espera interminável. O tempo tinha apagado as horas dos dias de sol.
Ela já não se lembrava há quanto tempo esperava. O gato tinha morrido, entretanto. De velho. Havia pó em cima da televisão que ela já não ligava. Os vidros da janela estavam baços e sujos por fora e quando ela embaciava a vidraça já não via com nitidez a calçada escura.
Continuou em ritmo compassado a sua caminhada no quarto. No quarto quadrado e branco. No quarto do desespero. Desespero da espera sem esperança. Ele viria! Um dia, uma hora. Ele viria! Os seus lábios murmuravam: "Um dia!".

Mitos Online:
Novas Mitologias do Mundo
Destruir alguém ou alguma coisa semi-destruída é tarefa fácil e do agrado da maioria. Atirar pedras do meio da multidão, lançar injúrias a uma só voz sempre foi mais eloquente e prática considerada própria a quem no resguardo do anonimato justifica assim a inoquidade dos seus intentos. Que mal atirar mais uma pedra no charco da inundíce? Fazer o que fazem todos não será o mais sensato? "Se não podes com eles junta-te a eles" é corrente. E o "lavo daí as minhas mãos" cada vez mais lavadas se todos os outros as sujaram também.
Ninguém se lembraria de começar revoluções sozinho se adivinhasse de antemão que não teria seguidores. A protecção do conjunto dá a imunidade do gesto, da palavra, do pensamento individual. Mesmo juridicamente os actos em comunhão, até os mais deploráveis, têm atenuante por esse facto.
Desde pequeninos que nos habituamos a justificar os nossos erros através dos dos outros. Todos se lembram do " O Manel também fez, não fui só eu", "Faltaram todos" etc., etc., para muitas situações. Se outros também fazem há alguma desculpa. Quanto mais fazem mais desculpa há. E se a maioria pensa assim então acaba por ser correcto. Na comunidade a individualidade perde muito terreno.
Em algumas situações esta atitude dá muito jeito. Em todas em que por falta de arrojo e coragem se esconde o ser com o múltiplo. São mais as vozes que as nozes. Cada vez mais o homem se perde na humanidade e se esquece do sentido.

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Novas Mitologias do Mundo
No Bar
- Já alguma vez provaste o infinito?
- O infinito não se pode provar. Não tem fim.

Ora, para quem nunca provou o infinito, esta explicação poder ser aceitável. Mas os que já o provaram, certamente, discordam.
Afinal, o que será atingir o inatingível, amar o que não pode ser amado, ultrapasssar-nos a nós próprios? E saber que aquele momento tão efémero, afinal nunca terá fim, na nossa memória, na nossa carne, no nosso ser?
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10.10.03

Novas Mitologias do Mundo

Há quem desespere por não encontrar uma alma, que mesmo não sendo gémea, partilhe consigo as agruras e as alegrias da vida. Tenha uma escova de dentes junto ao lavatório, mesmo ao lado da sua, e se deleite com uma sandes dividida a dois, ou um jantar romântico à luz das velas! No fundo, tudo o que queremos é não estar só, poder partilhar todos os disparates nossos e do outro ao final do dia, fazer surpresas à hora do almoço sem recear surpresas, e pensar, sem planos, num futuro com muitos sonhos. Quando estou com a neura e a achar que tudo é uma perda de tempo, tenho que me lembrar disto! E pensar que tenho muita sorte!
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8.10.03

Novas Mitologias do Mundo
Por entre a seara, luminosa de luar, ele caminhava cauteloso e contra o vento. Na ponta do cano da espingarda o lenço branco para não errar o alvo. O javali real tinha passado recentemente por ali e o perdigueiro avançava seguro até estacar erecto. A mancha não enganava. Lentamente levantou o cano, desceu na vertical, fez pontaria e disparou. O estrondo ouviu-se longe. O cão lançou-se em flecha. Os outros caçadores vieram.
Quando chegou perto, olhou espantado. O cão gania junto a uma criança.

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Novas Mitologias do Mundo

Hoje perguntaram-me: já imaginaste se fosses uma mosca? Vives todo o dia na merda, sempre a comer porcarias, de um lado para o outro sem saber por onde andas, e acabas por morrer num caixote do lixo qualquer!!
Quem diria?
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7.10.03

Novas Mitologias do Mundo

Depois de um quase interminável interregno, em que andei todos os dias pela blogosfera, apenas observando - nem um comentariozinho, nem uma achega, nada!! consegui resistir!! - volto a postar, embora, trémula, insegura e ainda, sem saber muito bem por que o faço! Talvez por saber que pode redundar num vício - foi o mesmo com as ganzas! - ou por achar que o que posso dizer não interessa nada a ninguém ( essa deve ser a razÃo principall!!), ou então apenas porque acho que este não é o meu lugar. Escrever é a minha vida! Até consigo - embora mal - sobreviver disso! (Dizer que vivo da escrita pode ser mal interpretado e não, não sou nenhuma escritora de best-sellers, nem nenhuma jornalista reputada - quer dizer, tenho a minha reputação, mas é mesmo só minha! - nem mesmo uma guionista de 1ª categoria - será que isso existe? - nem mesmo uma dramaturga frustrada! - embora a minha única peça de teatro totalmente pronta, revista e aprovada(!! )ainda não tenha subido a nenhum palco!).
Mas a escrita é a minha vida. Desde que aprendi a ler e a escrever - como era fácil nesses tempos - redaccões: Muito Bom. - ainda não havia Excelente! - Perguntas de interpretação: Muito Bom, e até na faculdade consegui ter as melhores notas do ano em Iniciação à  Literatura!!! Velhos e saudosos tempos! Em que escrever numa folha em branco era como respirar! Agora, só o consigo fazer com um objectivo definido - tipo trabalho de encomenda a prazo onde a a folha deu lugar ao monitor - na boa!! É igual! - e ali sai ele, escorreito, sem erros, cheio de imaginação, tal qual como foi pedido e quase a horas - normalmente há sempre um atrasozito de uma ou duas horas, mas hèlas, é a procura incansável da perfeição, mesmo em trabalhos que sabemos descartáveis e que não merecem tanta dedicação!
Mas tudo isto é mais uma vez o velho - antigo é mais solene, não se aplica a divagações idiotas!!- truque da recorrência ao mito da escrita como forma de elevar a auto-estima, do escrever apenas por escrever e de não ter nenhum trabalho de encomenda, actualmente, em mãos. E não é que é isso mesmo!??
Por isso, quero ganhar o ví­cio de postar sem descanso - já o mesmo não aconteceu com as ganzas!! - quero escrever por escrever e aquilo que bem me apetecer, e se este não é, definitivamente, o meu lugar, desculpem lá¡, mas estou-me nas tintas!
beijinhos e voltem! (quer dizer, venham!)


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